terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Homossexualidade (A Natureza Biológica da Troca de Sexos)

 

 



A primeira coisa a ser feita, é separar dois conceitos: o conceito de Reprodução Sexuada, ou seja, a reprodução através da troca de material genético; e o conceito de Sexos Separados. A maioria dos seres vivos existentes hoje realiza reprodução sexuada, e ainda que muitos realizem reprodução assexuada, quando houver a opção de fazer reprodução sexuada, os seres vivos tendem a preferi-la. O mais importante, a saber, sobre a reprodução sexuada, é que ela gera a variabilidade de genes. E a variabilidade genética é importante porque, em uma população onde todos os seres são iguais, ou têm o mesmo material genético, se houver alguma doença, há uma grande chance de que toda essa população morra de uma única vez. A variabilidade genética existe para que, quando ocorra alguma mudança brusca no ambiente (clima, relevo, etc), ou quando haja algum predador ou patologia que afete determinada população, isso não mate ela toda.

Porém, a grande maioria dos seres vivos, não tem os sexos separados. E isso é muito óbvio porque a grande maioria dos seres vivos existentes atualmente é unicelular (bactérias, fungos, protozoários, etc), e não tem como se ter sexos separados em indivíduos com uma única célula. E mesmo em indivíduos pluricelulares, como as plantas, por exemplo, não se encontram sexos separados. Isto é, o mesmo indivíduo tem os órgãos sexuais femininos e masculinos dentro de si. São pouquíssimas as espécies de plantas em que se encontram indivíduos de um único sexo. As esponjas, que são os animais com o maior número de características mais primitivas hoje, têm algumas poucas espécies que possuem os sexos separados, ou seja, a grande maioria das esponjas é hermafrodita. O máximo que os indivíduos hermafroditos fazem, é produzir gametas (óvulo e espermatozoide) em períodos diferentes na vida. Para ilustrar, durante seis meses, o indivíduo produz gametas femininos (óvulos), e durante seis meses, produz gametas masculinos (espermatozoides).

Um grupo de indivíduos que tenha os sexos separados é chamado de dioico –– a maioria dos insetos tem os sexos separados, algumas famílias de moluscos também, algumas têm e outras não, os anelídeos marinhos (chamados também de poliquetas) são quase todos dioicos, os anelídeos terrestres (as minhocas e sanguessugas) são quase todos hermafroditas, a minhoca por exemplo, tem o hermafroditismo total, ou seja, em toda sua vida irá produzir tanto gametas masculinos, quanto femininos, já as sanguessugas são mais parecidas com as esponjas, elas “mudam de sexo” durante a vida. Ou seja, a separação entre os sexos aconteceu em vários períodos durante a história da vida e, lógico está, isso tem uma função. E isso pode ter acontecido por uma série de motivos: talvez por ser mais econômico energeticamente, pode ser uma questão de especializar os indivíduos a produzirem apenas um tipo de gameta, ou talvez tenha acontecido simplesmente por conta de uma limitação genética –– uma espécie alcançou um determinado grau de arranjo genético e não havia meios de manter os dois sexos em um mesmo indivíduo ––, talvez essa separação seja uma maneira de aperfeiçoar a reprodução sexuada, tornando-a mais eficiente. Geralmente as espécies dioicas possuem alguma diferença genética entre os indivíduos machos e fêmeas; no caso do ser humano, essa diferença é cromossômica: os cromossomos sexuais masculinos e femininos são diferentes entre si. Já nas famílias dos himenópteros (abelhas, formigas, vespas, etc), não existem cromossomos sexuais específicos, nesses casos, o macho tem a metade do material genético da fêmea, ou seja: se tiver metade do material genético vira macho, se tiver o dobro, vira fêmea. Há ainda outros casos em que os cromossomos sexuais existem, mas são iguais tanto para machos quanto para fêmeas, o que varia os sexos é a quantidade do material genético (se o número cromossômico for maior é fêmea, se for menor é macho).

Os peixes e anfíbios são os vertebrados com fecundação externa, ou seja, não existe penetração sexual: o macho solta os espermatozoides na água e a fêmea solta os óvulos na água, ocorrendo assim a fecundação externa. Isso quer dizer que peixes e anfíbios não possuem órgão sexuais externos. E existem ainda algumas espécies de peixes que conseguem mudar de sexo durante a vida. Isso pode acontecer, por exemplo, se o equilíbrio sexual de uma população estiver desfavorável –– se houverem mais machos do que fêmeas e vice-versa: tanto as fêmeas podem se “transformar” em macho quanto os machos em fêmeas, provocando assim o equilíbrio sexual. Mas a maioria desses peixes tem exatamente o mesmo mecanismo que as esponjas e sanguessugas: eles mudam de sexo em períodos determinados da vida. E isso acontece exatamente pelo fato de que não existem genitálias externas em peixes –– se houvesse a genitália externa essa troca de sexo não seria possível.

Indo agora às espécies amnióticas (que possuem “ovos de casca dura”, como os répteis e aves), que são aquelas que vivem a maior parte do tempo, ou toda a vida, em terra seca. Por viverem em terra seca, os indivíduos amnióticos não poderiam realizar a fecundação externa, pois o óvulo precisa de água para sobreviver, e a única maneira de que o óvulo se mantenha úmido é dentro do corpo da mãe; então o gameta masculino tem chegar dentro do corpo da mãe. Isso requer o aparecimento de genitália externa, que irá introduzir o gameta no organismo da fêmea. Esta é uma solução muito elegante, porém, ela impõe limites: com a genitália externa, a reversão de sexo durante a vida fica praticamente impossível de acontecer; mas, apesar da mudança de sexo física ser quase impossível, a mudança comportamental não é impossível de acontecer.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Homossexualidade (Primeiras Considerações)





“Eu acho que o homossexualismo é uma doença, porque não é natural uma pessoa sentir atração sexual por outra do mesmo sexo. E, além do mais, é antinatural um relacionamento gay, sendo que não gera filhos, e encoraja outras pessoas a se tornarem gays”.
Foi a frase acima que me levou a pesquisar, copiar, editar, apagar, reescrever, compilar as informações, e, por fim, publicar este texto. Desde já aviso que o texto será muito grande, e que por isso estará dividido em, no mínimo, 04 partes.
Mas, voltando à frase: antes de começar a falar o que eu encontrei nas minhas pesquisas sobre o assunto, eu quero explicitar alguns pontos importantes na frase, porque eu sei que muitas pessoas, incluindo alguns leitores, tenho certeza, usam/usaram/usarão esta mesma frase em algum momento da vida. Então, antes que você saia repetindo-a por aí, eu vou comentá-la.

1ª Observação: Homossexualismo. O Sufixo (última parte de uma palavra) - ismo tem, entre outros, o significado de ideologia ou corrente ideológica. Exemplos: Cristianismo, Judaísmo, Nazismo, Darwinismo, Existencialismo, etc. A homossexualidade não é uma corrente ideológica, ela é uma condição social/psíquica/individual, sendo assim, não se emprega sob-hipótese alguma o sufixo – ismo. Ok?
2ª Observação: Doença. Segundo o dicionário Aurélio, compreende-se como doença: “um distúrbio da normalidade; conjunto de sinais e/ou sintomas que tem só uma causa; moléstia”. A primeira definição diz que doença é o desvio da normalidade; mas o que é a normalidade? Se “normal” for aplicado no sentido estatístico, ou seja, pela maioria das pessoas, então, de certa forma, pode-se SIM dizer que a homossexualidade é uma doença; assim como ser canhoto é uma doença, ter olhos azuis é uma doença, ser ruivo é uma doença, assim como ser careca é uma doença, etc.

3ª Observação: Não é natural. O que é natural? Natural é tudo aquilo que a natureza engloba. O ser humano é parte da natureza, assim como tudo, tecnicamente, é parte da natureza. E assim como as interferências provocadas por outras espécies animais não são consideradas deformações, as interferências humanas, também não podem ser. Porém, admitamos por algum tempo que a homossexualidade não é natural. Mas é só por isso que ela é algo ruim? Blusas de frio não são naturais, óculos não são naturais, a internet não é natural, e nem por isso essas são coisas ruins. O que se pode dizer sobre a homossexualidade, é que ela não é, ESTATISTICAMENTE FALANDO, algo normal: pois ocorre em uma menor parcela da sociedade.
4ª Observação: Não gera filhos. Para evitar a hipocrisia ao combater a homossexualidade por este motivo, é preciso também combater outras formas de sexo que não gera filhos (sexo oral, anal, com uso de contraceptivo, masturbação, o sexo por mero prazer – que acontece na maioria das vezes –, preliminares, etc). É preciso lembrar que o sexo não tem fins reprodutivos apenas, durante o processo evolutivo, ele se tornou algo prazeroso para facilitar as reproduções, assim sendo, o sexo é uma ligação entre reprodução e prazer. Se fosse por uma não reprodução, seria nosso dever combater com unhas e dentes o casamento de pessoas com esterilidade ou os casais que são muito idosos: porque em ambos os casos, não haverá a geração de filhos, porque, claro está, o mundo carece de crianças.

5ª Observação: Encoraja pessoas a se tornarem gays. Assim como estar perto de pessoas altas te deixa mais alto, e de pessoas magras te deixa mais magro, e de pessoas bonitas de deixa mais bonito, ad infinitum.

Enfim, eu espero de verdade que depois dessa dissecação da frase ninguém volte a repeti-la: é preciso analisar cada aspecto comunicativo de nossas frases para que, se nos envolvermos em uma discussão com alguém que realmente saiba algo sobre o assunto, não passemos vergonha.

Muita gente ainda discute sobre a homossexualidade como se ela fosse corrigível. Aliás, como se ela fosse um problema que precisasse ser corrigido; é possível, neste quesito comparar a homossexualidade com ser canhoto: ser canhoto prejudica alguém?, bom, eu acho que não. Da mesma forma que ser gay, desde que dentro de uma relação consensual, não prejudica ninguém. Eu, do meu ponto de vista, acredito que a homossexualidade não é uma opção. E este deveria ser um ponto muito favorável na luta contra a homofobia. E eu vou tentar explicar por que a homossexualidade não é uma opção do indivíduo. Antes de qualquer coisa, eu sou um defensor da ideia de que a homossexualidade é algo com o qual o indivíduo nasce, ou seja, para mim, a pessoa nasce homossexual. Eu me baseio, principalmente, em estudos que apontam que a homossexualidade está ligada a fatores genéticos e neurofisiológicos em até 90% dos casos, sendo uma circunstância inata ao sujeito. Porém, isso não exclui a influencia do meio, que se apresenta como a causa mínima (10-15%) que leva um indivíduo a se “tornar” um homossexual.

Mas, irão questionar, se a homossexualidade é algo meramente genético, por que há casos de gêmeos em que um é homossexual e o outro não? Esta pergunta nasce da falta de conhecimento das pessoas: sempre se associa “genética” com “hereditariedade”. Algo genético pode ser algo congênito, que é algo inerente aos genes de um individuo singularmente –– isto é, por algum motivo, o código genético de determinado sujeito se organizou de uma determinada forma –– decorrente da formação gestacional ou da fecundação. Assim, respondendo à pergunta, a orientação sexual é congênita e não hereditária, portanto, pode ser sim que cada gêmeo tenha uma orientação sexual diversa da do outro, visto que ambos têm formação embriológica distinta e separada, seus genes podem se organizar de maneira diversa, embora o código genético seja o mesmo.
Por tudo o que foi dito até agora, eu tenho uma mensagem para aqueles que dizem a frase do início do post: antes de ir destilando seus ideias ao sabor do vento, pesquise um pouco, assim como eu fiz. Enfim, até o próximo post :)
 
 
 
 


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CAIM (Capítulo XIII° - Último Capítulo)



Deus não veio ao bota-fora. Estava ocupado com a revisão do sistema hidráulico do planeta, verificando o estado das válvulas, apertando alguma porca mal ajustada que gotejava onde não devia, provando as diversas redes locais de distribuição, vigiando a pressão dos manômetros, além de uma infinidade de outras grandes e pequenas tarefas, cada uma delas mais importante que a anterior e que ele só, como criador, engenheiro e administrador dos mecanismos universais, estava em condições de levar a bom termo e confirmar com o seu sagrado ok. A festa, para os outros, para ele, o labor. Em horas assim sentia-se menos como um deus que como contramestre dos anjos operários, os quais, neste preciso e exacto momento, cento e cinquenta a estibordo da arca, cento e cinquenta a bombordo, com os seus alvinitentes fatos de trabalho, esperavam a ordem de alçar a enorme embarcação, não diremos a uma só voz porque nenhuma se ouviria, pois toda esta operação é obra da mente, mas como se o pensasse um só homem com o seu único cérebro e a sua única vontade. Num instante a arca estava no chão, no instante seguinte subira à altura dos braços levantados dos anjos operários como num exercício ginástico de pesos e halteres. Entusiasmados, noé e a família debruçaram-se à janela para melhor apreciarem o espetáculo, com risco de algum deles cair dali abaixo, como pensou caim. Um novo impulso e a arca encontrou-se numa região superior ao ar. Foi então que noé deu um grito, O unicórnio, o unicórnio. Efectivamente, galopando ao longo da arca, corria aquele animal sem par na zoologia, com o seu corno espiralado, todo ele de uma brancura deslumbrante, como se fosse um anjo, esse cavalo fabuloso de cuja existência tantos haviam duvidado, e enfim ali estava, quase ao alcance da mão, bastaria fazer descer a arca, abrir-lhe a porta e atraí-lo com um torrão de açúcar que é o mimo que a espécie equina mais aprecia, é quase a sua perdição. De repente, o unicórnio, assim como apareceu, desapareceu. Os gritos de noé, Desçam, desçam, foram inúteis. A manobra de descida teria sido logisticamente complicada, e para quê se ele já tinha levado sumiço, sabe-se lá por onde andará neste momento. Entretanto, numa velocidade muito maior que a do zeppelin hindenburg, a arca sulcava os ares em direcção ao mar, onde finalmente pousou com fundo suficiente dando origem a uma vaga enorme, um autêntico tsunami, que chegou às praias, destroçando os barcos e os casebres de pescadores, afogando uns quantos, arruinando as artes da pesca, como um aviso do que haveria de vir. Mas o senhor não mudou de opinião, os seus cálculos podiam estar errados, mas, como a prova real não havia sido tirada, ainda lhe ficava o benefício da dúvida. Dentro da arca, a família de noé dava graças a deus e, para festejar o êxito da operação e exprimir o seu reconhecimento, sacrificou um cordeiro ao senhor, a quem a oferenda, como é natural, conhecidos os antecedentes, deliciou. Tinha razão, noé havia sido uma boa escolha para o pai da nova humanidade, a única pessoa justa e honesta do tempo, que ele era, emendaria os erros do passado e expulsaria da terra a iniquidade. E os anjos, onde estão os anjos operários, perguntou subitamente caim. Não estavam. Satisfeita de tão perfeita e completa maneira de incumbência do senhor, os diligentes obreiros, com a simplicidade que os caracterizava e de que nos deram não poucas provas desde o primeiro dia em que nos conhecemos, tinham regressado às casernas sem esperar a distribuição das medalhas. A arca, é bom lembrá-lo, não se lhe pode dar corda, e levá-la a remos seria literalmente impensável, nem mesmo as forças de todos os anjos operários disponíveis no céu seriam capazes de a fazer mover por esse meio. Vogará portanto ao sabor das correntes, deixar-se-á empurrar pelos ventos que lhe soprem o bojo, a manobra marinheira será mínima e a viagem um longo descanso, salvo as ocasiões de actividade amatória, que não serão poucas nem breves e para as quais o contributo de caim, pelo que temos podido perceber, é da ordem do exemplar. Digam-no as noras de noé que não poucas vezes têm abandonado a meio da noite a cama onde estavam jazendo com os seus maridos para irem cobrir-se, não apenas com a manta que tapa caim, mas com o seu jovem e experiente corpo.
Passados sete dias, número cabalístico por excelência, abriram-se finalmente as comportas do céu. A chuva irá cair sobre a terra, sem parar, durante quarenta dias e quarenta noites. Ao princípio pareceu não se notar a diferença do efeito das cataratas que continuamente se despenhavam do céu com um rugido ensurdecedor. Era natural, a força da gravidade encaminhava as torrentes para o mar e ali, à primeira vista, era como se sumisse nele, mas não tardou que as fontes do oceano profundo por sua vez rebentassem e a água começasse a subir à superfície em cachões e jorros do tamanho de montanhas que tanto apareciam como desapareciam, fundindo-se com a imensidade do mar. No meio desta furiosa convulsão aquática que tudo queria engolir, a barca lograva aguentar-se, balançando-se de um lado a outro como uma rolha de cortiça, aprumando-se no último instante quando o mar já parecia ir tragá-la. Ao cabo de cento e cinquenta dias, depois de que as fontes do mar profundo e as comportas do céu se tivessem fechado, a água, que havia coberto toda a terra acima das serranias mais altas, começou a baixar lentamente. Entretanto, porém, uma das noras de noé, a mulher de cam, havia morrido num acidente. Ao contrário do que deixamos antes dito ou dado a entender, havia uma grande necessidade de mão de obra na barca, não de marinheiros, é certo, mas de pessoal de limpeza. Centenas, para não dizer milhares de animais, muitos deles de grande porte, enchiam a abarrotar os porões e todos cagavam e mijavam que era um louvar a deus. Limpar aquilo, baldear as toneladas de excrementos todos os dias era uma duríssima prova para as quatro mulheres, uma prova física em primeiro lugar, pois Dalí saíam exaustas as pobres, mas também sensorial, com aquele insuportável fedor a merda e urina que traspassava a própria pele. Foi num desses dias de tempestades desabalada, com a arca a ser sacudida pela tormenta e os animais a atropelarem-se uns aos outros, que a mulher de cam, tendo escorregado no chão imundo, foi acabar sob as patas de um elefante. Lançaram-na ao mar tal como se encontrava, ensanguentada, suja de excrementos, um mísero despojo humano sem honra nem dignidade. Por que não a limparam antes, perguntou caim, e noé respondeu, Vai ter muita água para se lavar. A partir deste momento e até ao final da história, caim irá odiá-lo de morte. Diz-se que não há efeito sem causa nem causa sem efeito, parecendo portanto que as relações entre uma coisa e outra deverão ser em cada momento, não só patentes, mas compreensíveis em todos os seus aspectos quer consequentes quer subconsequentes. Não nos arriscamos a sugerir que deva ser incluída neste quadro geral a explicação da mudança de atitude da mulher de noé. Pode ela ter pensado simplesmente que, faltando a mulher de cam, outra deveria ocupar o seu lugar, não para acolitar o viúvo nas suas noites agora solitárias, mas para recuperar a harmonia antes vivida entre as fêmeas mais novas da família e o hóspede caim, ou, por palavras mais claras e directas, se antes ele tinha três mulheres à sua disposição, não havia motivo para que não continuasse a tê-las. Mal sabia ela que na cabeça do homem rondavam ideias que tornavam absolutamente secundária a questão. Em todo o caso, como uma coisa não empata a outra, caim acolheu com simpatia os avanços dela, Aqui onde me vês, apesar da idade, que já não é da primeira juventude, e tendo parido três filhos, ainda me sinto muito apetecível, e tu que achas, caim, perguntara ela. Havia muito tempo que deixara de chover, a enorme massa de água entretinha-se agora a macerar os mortos e empurrá-los docemente, no seu eterno balanceio, para a boca dos peixes. Caim tinha assomado à janela para ver o mar que resplandecia sob a lua, havia pensado um pouco em lilith e em seu filho enoch, ambos mortos, mas de maneira distraída, como se não lhe importasse muito, e foi então que ouviu sussurrar ao seu lado, Aqui onde me vês. Dali foram, ele e ela, para o cubículo onde caim costumava dormir, não esperaram sequer que noé, já entregue ais braços de morfeu, se ausentasse do mundo, e, quando acabaram, o homem teve de reconhecer que a mulher tinha razão no juízo que sobre si própria havia feito, ainda estava ali para lavar e durar, e mostrava ter, em certos momentos, uma experiência acrobática a que as outras ainda não haviam conseguido chegar, fosse pela falta de vocação natural, fosse por inibição causada pela actuação tradicional dos respectivos maridos. E, posto que estamos a falar de maridos, diga-se já que cam foi o segundo a desaparecer. Tinha subido à cobertura da arca para ajustar algumas tábuas que rangiam com o balanço e o impediam de dormir, quando alguém se aproximou, Dás-me uma ajuda, perguntou, Sim, foi a resposta, e empurraram-no para o mar, uma queda da altura de quinze metros que pareceu interminável, mas logo acabou. Noé barafustou, zangou-se, disse que, depois de tanto tempo de prática de navegação, só uma imperdoável falta de atenção ao trabalho podia explicar o sucedido, Abram os olhos, exigiu, vejam onde põem os pés, e continuou, Perdemos um casal, e isso vai significar que vamos ter de copular muito mais se quisermos que a vontade do senhor se cumpra, a de que sejamos os pais e mães da nova humanidade. Interrompeu-se por um instante e virando-se para as duas noras que lhe restavam, perguntou, Alguma de vocês está grávida. Uma delas respondeu que sim, que estava grávida, a outra que ainda não tinha certeza, mas que talvez, E quem é o pai, Para mim, estou que é caim, disse a mulher de jafet. Para mim também, disse a mulher de sem, Parece impossível, disse noé, se aos vossos maridos lhes anda a faltar a potência genesíaca, o melhor é que vocês se deitem só com caim, tal como eu, aliás, já havia mais ou menos previsto desde o princípio, rematou. As mulheres, incluindo a do próprio noé, sorriram para dentro, elas saberiam porquê, quanto aos homens, esses não tinham  gostado da repreensão pública, mas prometeram, se lhes permitisse, ser mais diligentes no porvir. É curioso que as pessoas falem tão ligeiramente do futuro, como se o tivessem na mão, como se estivesse em seu poder afastá-lo ou aproximá-lo de acordo com as conveniências e necessidades de cada momento. Jafet, por exemplo, vê o futuro como uma sucessão de cópulas bem sucedidas, um filho por ano, gêmeos umas quantas vezes, o olhar complacente do senhor sobre a sua cabeça, muitas ovelhas, muitas juntas de bois, em suma, a felicidade. Não sabe, o pobre, que o seu fim está perto, que uma rasteira o precipitará no vácuo sem colete salva-vidas, esbracejando nas agonias de um inútil desespero, aos gritos, enquanto a arca se vai distanciando majestosamente ao encontro do seu destino. A perda de mais um tripulante afligiu noé a um extremo indescritível, a desejada concretização do plano do senhor encontrava-se em grave risco, vista a situação, de ter que impor a necessidade de duplicar ou até mesmo triplicar o tempo indispensável a um razoável repovoamento da terra. Cada vez se tornará mais necessária a colaboração de caim, por isso noé, já que ele não parecia querer decidir-se, resolveu ter uma conversa de homem para homem com ele, Deixemo-nos de rodeios e de meias palavras, disse, tens de pôr imediatamente mãos à obra, a partir de hoje é quando quiseres e como quiseres, a mim estas preocupações matam-me, não posso ser de grande ajuda por enquanto, Quando quiser e como quiser, que significa isso, perguntou caim, Sim, e com quem  quiseres, respondeu noé, exibindo a sua melhor cara de entendido, Incluindo a tua mulher, quis saber caim, Insisto que o faças, a mulher é minha, posso fazer com ela o que me apetecer, Tanto mais que se trata de uma boa obra, insinuou caim, Uma obra prima, uma obra do senhor, assentiu noé com a solenidade apropriada, Sendo assim, comecemos já, disse caim, manda-a ter comigo ao cubículo onde durmo e que ninguém venha nos incomodar, aconteça o que acontecer e ouça-se o que se ouvir, Assim farei, e que se cumpra a vontade do senhor, Amém. Não faltará quem pense que o malicioso caim anda a divertir-se com a situação, jogando ao gato e ao rato com os seus inocentes companheiros de navegação, aos quais, como o leitor já terá suspeitado, tem vindo a eliminar um a um. Equivocar-se-á quem assim creia. Caim debate-se com a sua raiva contra o senhor como se estivesse preso nos tentáculos de um polvo, e estas suas vítimas agora não são mais, como já abel o tinha sido no passado, que outras tantas tentativas para matar deus. A próxima vítima será justamente a mulher de noé, que, sem o merecer, vai pagar com a vida as horas de gozo passadas nos braços do seu futuro assassino com a bênção e a conivência do próprio marido, a tal ponto havia chegado a delinquência dos costumes desta humanidade a cujos últimos dias vimos assistindo. Depois da repetição, em todo o caso com algumas variações mais ou menos subtis, de uns quantos excessos de delírio erótico protagonizados principalmente pela mulher e expressados, como sempre, em murmúrios, gemidos e logo incontroláveis gritos, caim levou-a pela mão até á janela para tomarem o fresco da noite e dali, metendo-lhe as mãos por entre as coxas ainda frementes de prazer, a precipitou no mar. Das oito pessoas que compunham a família de noé só restavam agora, além do próprio patriarca, o seu filho sem e a mulher e a viúva de jafet. Duas mulheres ainda dão para muito, pensava noé com o seu indefectível optimismo e a sua inabalável confiança no senhor. Não deixou no entanto de mostrar a sua estranheza pelo inexplicável desaparecimento da esposa e manifestou-a a caim, Ela estava em tudo ao teu cuidado, não compreendo como pode ter sucedido esta desgraça, ao que caim respondeu perguntando, E era eu o guarda-costas da tua mulher, levava-a eu atada a mim pelo tornozelo com um baraço como se fosse uma ovelha, Não digo isso, encolheu-se noé, mas ela dormia contigo, podias ter-te apercebido de algo, Tenho o sono pesado. A conversa não foi mais longe, em verdade, caim não podia ser responsabilizado pelo facto de a mulher se ter levantado para ir urina fora, à brisa nocturna, e ali sofrer, por exemplo, uma tontura, para depois rolar por um desaguadouro e desaparecer nas águas. Coisas da fatalidade. O nível do imenso mar que cobria a terra continuava a descer, mas nenhum cume de montanha havia levantado a cabeça para dizer, Aqui estou, o meu nome é ararat e estou na turquia. Fosse como fosse, porém, a grande viagem aproximava-se do fim, era tempo de começar a preparar a conclusão, o desembarque ou o que tiver de suceder. Sem e a mulher caíram ao mar no mesmo dia em circunstancias que ficarão por explicar, o mesmo tendo acontecido à viúva de jafet, que ainda na véspera tinha dormido na cama de caim. E agora, clamava noé, arrepelando o cabelo no mais absoluto desespero, tudo está perdido, sem mulheres que fecundem não haverá vida nem humanidade, melhor teria sido contentar-nos com a que tínhamos, que já a conhecíamos, e insistia, perdido de desgosto, Com que cara irei eu comparecer diante do senhor com este barco cheio de animais, que hei-de eu fazer, como viverei o resto da minha vida, Deita-te daqui abaixo, disse caim, nenhum anjo virá colher-te nos seus braços. Algo soou na voz com que o disse que fez acordar noé para a realidade, Foste tu, disse, Sim, fui eu, respondeu caim, mas em ti não tocarei, morrerás pelas tuas próprias mãos, E deus, que dirá deus, perguntou noé, Vai tranquilo, de deus encarrego-me eu. Noé deu a meia dúzia de passos que o separavam da borda e, sem uma palavra, deixou-se cair.
No dia seguinte a barca tocou a terra. Então ouviu-se a voz de deus, Noé, noé, sai da arca com a tua mulher e os teus filhos e as mulheres dos teus filhos, retira também da arca os animais de toda espécie que estão contigo, as aves, os quadrúpedes, os répteis todos que rastejam pela terra, a fim de que se espalhem pelo mundo e por toda a parte se multipliquem. Houve um silêncio, depois a porta da arca abriu-se lentamente e os animais começaram a sair. Saíam, saíam, e não acabavam de sair, uns grandes, como o elefante e o hipopótamo, outros, pequenos, como a lagartixa e o gafanhoto, outros de tamanho médio, como a cabra e a ovelha. Quando as tartarugas, que tinham sido as últimas, se afastavam, lentas e compenetradas como lhes está na natureza, deus chamou, Noé, noé, por que não sais. Vindo do escuro interior da arca, caim apareceu no limiar da grande porta, Onde estão noé e os seus, perguntou o senhor, Por aí, mortos, respondeu caim, Mortos, como, mortos, porquê, Menos noé, que se afogou por sua livre vontade, aos outros matei-os eu, Como te atreveste, assassino, a contrariar o meu projecto, é assim que me agradeces ter-te poupado a vida quando mataste abel, perguntou o senhor, Teria de chegar o dia em que alguém te colocaria perante a tua verdadeira face, Então a nova humanidade que eu tinha anunciado, Houve uma, não haverá outra e ninguém dará pela falta, Caim és, e malvado, infame e matador do teu próprio irmão, Não tão malvado e infame como tu, lembra-te das crianças de sodoma. Houve um grande silêncio. Depois caim disse, Agora já podes matar-me, Não posso, palavra de deus não volta atrás, morrerás da tua natural morte na terra abandonada e as aves de rapina virão devorar-te a carne, Sim, depois de tu primeiro me haveres devorado o espírito. A resposta de deus não chegou a ser ouvida, também a fala seguinte de caim se perdeu, o mais natural é que tenham argumentado um contra o outro uma vez e muitas, a única coisa que se sabe de ciência certa é que continuaram a discutir e que a discutir estão ainda. A história acabou, não haverá nada mais que contar.

FIM
 
 
Saramago, José

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Receita

 
 
TRONCO DE NATAL (OU TRONCO DE PAPI NOEL) :
 
Natal se aproximando! Que tal aprender a fazer esta receita gostosa e decorativa?
Pegue papel e caneta e vamos começar!
 
Ingredientes:
 
- 01 lata de leite condensado;
 
- 01 colher (café) de essência de baunilha;
 
- 02 xícaras (chá) de leite;
 
- 100 gr. de nozes trituradas;
 
- 100 gr. de açúcar de confeiteiro;
 
- 400 gr. de castanhas;
 
- 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó;
 
- 1/2 cálice de licor;
 
- 3/4 de xícara (chá) de cacau em pó;
 
- 2 1/3 de xícara (chá) de manteiga.
 
Modo de Preparo:
 
- Cozinhe por cerca de 10 minutos as castanhas e descasque-as enquanto estiverem mornas;
 
- Na panela em que elas estiverem, coloque leite suficiente para cubrí-las;
 
- Junte a baunilha e deixe que ferva até que o leite seja absorvido;
 
- Com a ajuda de um garfo, amasse até formar um purê. Guarde;
 
- Bata bem o açúcar com o 1 1/3 de xícara (chá) de manteiga, adicionando o licor, o cacau, o purê de castanhas e as nozes. Mexa bem;
 
- Espalhe a massa numa folha de papel alumínio e modele como um tronco e embrulhe, levando à geladeira por 4 horas;
 
- Enquanto o tronco estiver na geladeira prepare a cobertura: bata o chocolate, o leite condensado e o resto da manteiga até formar um creme;
 
- Retire o tronco da geladeira e espalhe a cobertura;
 
- Depois, com a ajuda de um garfo ou uma faca, faça desenhos na cobertura do tronco imitando a madeira;
 
- Sirva decorado com cerejas e outras coisas.
 
BOM APETITE!!!!!!!!!!!!!!!!
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Clarice Lispector (35 anos de morte, 92 anos de vida)


Muitos sabem da minha veneração por Clarice Lispector, que completaria 92 anos hoje se não tivesse morrido um dia antes de seu aniversário de 57 anos em 09 de dezembro de 1977. Assim, ontem, 09 de dezembro de 2012, completararam-se 35 anos de morte de Clarice, e hoje ela faria 92 anos se estivesse viva. Por isso, resolvi fazer este post especial onde colocarei um resumo de sua vida desde seu nascimento na Ucrânia até sua morte no Rio de Janeiro.
 
CRONOLOGIA ABREVIADA:
1920 –– NASCIMENTO
 
- 10 de dezembro: Nasce Haia Pinkhoussovna Lispector (Clarice Lispector) em Tchetchélnik, Ucrânia, que na época pertencia à Rússia. Nasce quando os pais –– Pinkhouss (Pedro) e Mánia (Marieta) –– e as duas irmãs –– Leia (Elisa) e Tania –– já viajavam para fora da Rússia, fugindo das violentas perseguições aos judeus (pogroms) e da miséria causada por constantes lutas políticas internas e externas.
 
1920-1922 –– VIAJA COM A FAMÍLIA DA UCRÂNIA AO BRASIL
 
- As cinco pessoas da família atravessam a fronteira e passam pela Moldávia (Soroca e Kichinev), Romênia (Bucareste), Hungria (Budapeste) e, daí, pela Alemanha, onde, no porto de Hamburgo, tomam o navio “Cuiabá” que os leva ao Brasil.
 
1922-1925 –– MORA EM MACEIÓ (ALAGOAS)
 
- 20 de março: Com um ano e três meses, desembarca, com a família, em Maceió, depois de parada do navio em Recife (Pernambuco).
- Ao chegarem ao Brasil, adotam os nomes de Pedro, Marieta, Elisa, Tania e Clarice.
- São esperados pela irmã de Marieta, Zina, e seu marido e primo José Rabin, que providencia a “carta de chamada” viabilizando a vinda da família para o Brasil.
- Seu tio, José Rabin, oferece emprego a seu pai, Pedro, primeiramente, como mascate, financiando-lhe a mercadoria, e depois, como operário de fábrica de sabão.
 
1925-1935 –– MORA EM RECIFE (PERNAMBUCO)
 
·         1925:
- A família muda-se para Recife, já que o pai estava descontente com o trabalho em Maceió.
- Mora num casarão antigo na Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista, bairro tradicionalmente habitado por judeus e onde já residiam parentes de Mánia, do ramo dos Rabin.
- O pai trabalha como mascate (klientelshik), vendendo roupas a prestação pelos bairros mais afastados da cidade.
- A doença da mãe, que sofre de paralisia progressiva, agrava-se. Elisa, a irmã mais velha, acumula as funções de cuidar da casa, das irmãs e da mãe doente.
·         1928:
- Com sete anos, aprende a ler, como aluna do 1° ano do curso primário no Grupo Escolar João Barbalho.
- Vive de maneira modesta, às vezes tendo como almoço laranjada aguada e pedaço de pão, mas brinca com alegria, lendo, roubando rosas e pitangas, tomando banhos de mar em Recife, fantasiando-se no carnaval, episódios que contará em contos reunidos no volume Felicidade Clandestina, publicado em 1971.
- Muda-se para nova casa: Rua da Imperatriz, n. 173, 2° andar.
·         1929:
- Frequenta o 2° ano do curso primário no Grupo Escolar João Barbalho que funciona na rua Formosa, perto da Matriz da Boa Vista, no bairro da Boa Vista.
·         1930:
- Frequenta o 3° ano do curso primário no Colégio Hebreu-Ídiche-Brasileiro (atual Colégio Israelita Moysés Chvarts), que funciona na rua Visconde de Goiana n. 687.
- 21 de setembro: Morre a mãe, Marieta Lispector, com 41 anos. O corpo é sepultado no Cemitério do Barro, em Recife, no dia 22.
- Com nove anos, assiste a uma peça no Teatro Santa Isabel, no Recife e, inspirada, escreve Pobre Menina Rica, peça em três atos cujos originais acaba perdendo.
·         1931:
- Frequenta o 4° ano do curso primário no Colégio Hebreu-Ídiche-Brasileiro. Além das disciplinas básicas, estuda hebraico, com Moysés Lazar, e iídiche, com Kalman Burstein.
- 08 de julho: É concedida a naturalização a Pedro Lispector.
- 21 de dezembro: Para fins de matrícula, Pedro deposita no Ginásio Pernambucano a certidão de identidade de sua filha Clarice, traduzida do ucraniano no dia 03 de dezembro, em Recife.
- Convive com os primos do lado materno, netos de seu tio-avô Leon Rabin (irmão de sua avó Tania), entre os quais, os filhos de Dora, grande amiga de sua mãe, casada com Israel Wainstok. E com os quatro primos do lado paterno, filhos de seu tio Salomão e tia Mina, que vieram da Ucrânia para Recife em 1928: Pôla, Berta, Samuel e Vera.
- Escreve contos que envia para a seção “O Diário das Crianças” do Diário de Pernambuco, mas nenhum deles é publicado, porque, segundo futuro depoimento de Clarice, suas histórias não contam fatos, mas sensações.
- A família muda-se para a rua da Imperatriz n.21, 2° andar.
·         1932:
- Cursa o 1° ano do curso ginasial no Ginásio Pernambucano.
- 19 de julho: É expedida a carteira de identidade n. 46458 pelo Gabinete de Identificação do Estado de Pernambuco.
·         1933:
- Frequenta o 2° ano do curso ginasial no Ginásio Pernambucano.
- A família muda-se para a rua Conde da Boa Vista n.178, ainda no bairro da Boa Vista.
·         1934:
- Frequenta o 3° ano do curso ginasial no Ginásio Pernambucano.
- No final do ano a aluna Clarice solicita devolução dos documentos depositados no arquivo do Ginásio, preparando-se assim para deixar a cidade de Recife.
·         1935:
- 07 de janeiro: Pedro e as duas filhas –– Tania e Clarice –– desembarcam no Rio de Janeiro, vindos do Recife a bordo do vapor inglês “Highland Monarch”, na 3ª classe. Elisa, por motivo de trabalho, viajará depois.

1935-1944 –– MORA NO RIO DE JANEIRO
 
·         1935:
- Mora com a família numa casa antiga, no bairro de São Cristóvão, onde ficam por pouco tempo.
- Mora na rua Mariz e Barros n. 341, no bairro da Tijuca.
- Frequenta o 4° ano do curso ginasial no Colégio Silvio Leite, que funciona nessa mesma rua, n. 258, onde também estudam suas duas irmãs.
·         1936:
- Cursa o 5° ano do curso ginasial no Colégio Silvio Leite, que funciona na rua Mariz e Barros n. 258, na Tijuca.
- Lê vários livros que retira da biblioteca de aluguel e que escolhe pela capa. Lê O Lobo da Estepe de Hermann Hesse que pensa ser livro de aventuras e que a impressiona muito. É inspirada neste livro que escreve uma “história que não acaba nunca”, que acaba rasgando. Lê também Julien Green e Dostoievski, além de autores da literatura portuguesa, como Julio Dinis, Eça de Queiroz, e de literatura brasileira, como Machado de Assis, José de Alencar, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz. Além disso, lê também os romances cor-de-rosa de M. Delly e Henri Ardel
·         1937:
- Frequenta o primeiro ano do Curso Complementar para ingressar na Faculdade de Direito.
- Dá aulas particulares de português e matemática. Aprende datilografia e frequenta a Cultura Inglesa.
·         1938:
- Cursa o segundo ano do Curso Complementar, já no Colégio Andrews, que funciona na Praia do Flamengo n. 308.
·         1939:
- Inicia o Curso de Direito na Universidade do Brasil.
- Mora numa casa da rua Lúcio de Mendonça (atual Albert Sabin), n. 36, B, casa 03, Tijuca.
- Trabalha durante três meses como secretária num escritório de advocacia. Depois, por pouco tempo, num laboratório em Botafogo. E faz traduções de textos científicos para revistas.
·         1940:
- Frequenta o 2° ano do curso da Faculdade Nacional de Direito na Universidade do Brasil.
- 25 de maio: Publica seu primeiro conto na imprensa, “O Triunfo”, na revista semanal Pan, dirigida pelo escritor Tasso da Silveira.
- 26 de agosto: Morre o pai, com 55 anos, após cirurgia na vesícula.
- Após a morte do pai muda-se para a casa da irmã Tania, então casada com William Kaufmann, na rua Silveira Martins n.76, casa 11, no bairro do Catete.
- Inicia carreira de jornalista na Agência Nacional, órgão do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo de Getulio Vargas, no período de forte repressão da ditadura do Estado Novo (que se inicia em 1937 e se prolonga até 1945). Ai trabalha como tradutora, mas como o quadro estava completo, é encaminhada para a reportagem.
- Conhece Francisco de Assis Barbosa e Lúcio Cardoso, de quem se torna grande amiga.
- Apaixona-se por Lúcio Cardoso, numa relação impossível, pois o escritor era homossexual.
- É transferida para o jornal A Noite, que funciona na Praça Mauá n.7, onde trabalha como repórter.
- Escreve contos que só serão publicados postumamente em A Bela e a Fera (1979).
- Nessa época lê o livro de contos Bliss, de Katherine Mansfield, autora com quem imediatamente se identifica.
- 19 de dezembro: Entrevista o escritor Tasso da Silveira para a revista Vamos Ler!, que funciona no mesmo prédio da editora A Noite, na Praça Mauá n.7.
·         1941:
- Frequenta o 3° ano do curso de Direito na Universidade do Brasil.
- 19 de janeiro: Publica “Onde se ensinará a ser feliz” no Diário do Povo, de Campinas, reportagem sobre a inauguração de lar para meninas carentes.
- 09 de agosto: Publica o conto “Trecho” na revista Vamos Ler!
- 30 de agosto: Publica o conto “Cartas a Hermengardo” no semanário Dom Casmurro.
- Publica os artigos “Observações sobre o Fundamento do Direito de Punir”, em agosto, e “Deve a mulher trabalhar?”, em setembro, na revista A Época editada pelos estudantes da Faculdade de Direito.
- Namora Maury Gurgel Valente, um ano mais novo, filho de Mozart Gurgel Valente e Maria José Gurgel Valente. Era seu colega na Faculdade de Direito e já atuava no Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) como cônsul de terceira classe.
·         1942:
- Frequenta o 4° ano do curso de Direito na Universidade do Brasil.
- 02 de março: É registrada em carteira profissional como repórter da empresa A Noite, com salário mensal de seiscentos mil réis, que passam para oitocentos cruzeiros no ano seguinte.
- 02 de março: Três meses após completar 21anos, encaminha pedido de naturalização.
- De março a novembro: Escreve seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem.
·         1943:
- Casa-se, a 23 de janeiro, com Maury Gurgel Valente. Ambos formam-se na Faculdade no final desse ano.
- Mudam-se para a rua São Clemente n. 403, em Botafogo.
- Dezembro: Clarice lança seu primeiro romance: Perto do Coração Selvagem.
 
1944 (JANEIRO A JULHO) –– MORA EM BELÉM DO PARÁ
 
- 20 de janeiro: Instala-se no Central Hotel em Belém do Pará com o marido, Maury, designado pelo Itamaraty para desenvolver trabalho junto a bases dos Aliados nesse período de segunda grande guerra mundial.
- 15 de março: O jornal A Noite publica matéria não assinada preparada por Clarice, que entrevista a Sra. Eleanor Roosevelt por ocasião de sua visita a Belém.
- Lê Madame Bovary, de Gustave Flaubert, livros de Rilke, Proust, e outros, por sugestão do professor e amigo Francisco Paulo Mendes.
- Recebe críticas positivas referentes ao seu primeiro romance, publicadas por Sérgio Milliet, Lúcio Cardoso. Rejeita a crítica que lhe faz Álvaro Lins, por reconhecer nela influências de James Joyce e Virginia Woolf.
- 05 de julho: Maury é designado para servir como vice-cônsul em Nápoles (Itália).
 
1944-1946: MORA EM NÁPOLES (ITÁLIA)
 
·         1944:
- 19 de julho: Viaja do Rio de Janeiro para Nápoles (Itália), onde o marido assume a função de vice-cônsul, e, posteriormente, cônsul do Brasil. Inicia, assim, período de 16 anos de vida no exterior, com algumas viagens, de férias, ao Brasil.
- Passa por Natal (Rio Grande do Norte), pela África e por Portugal. Conhece, em Argel, Eliane Weil, que será sua grande amiga e concunhada, ao se casar com Mozart Gurgel Valente.
- 25 de agosto: Parte de Argel para Taranto e daí, para Nápoles, acompanhada do cunhado, Mozart Gurgel Valente, e do embaixador Vasco Leitão da Cunha.
- Mora no prédio do Consulado, em Nápoles: via Giambattista Pergolese n.1 A, à beira-mar, esquina com a via Francesco Caracciolo.
- Outubro: Recebe o prêmio Graça Aranha com Perto do Coração Selvagem, considerado o melhor romance de 1943.
- Novembro: Termina seu segundo romance, O Lustre, iniciado no Rio de Janeiro em março de 1943. Leva 21 meses para escrevê-lo.
- Lê livros em italiano e francês.
·         1945:
- Trabalha em hospital americano dando assistência a soldados brasileiros feridos na guerra.
- 9 de maio: Posa, pela primeira vez, para o pintor De Chirico, que pinta o seu retrato, em Roma. Durante o trabalho, ouvem a notícia do fim da guerra.
- Conhece em Roma o poeta Giuseppe Ungaretti que, em setembro, lhe envia carta com as traduções das páginas escolhidas de Perto do Coração Selvagem, feitas por ele e por sua filha, e que seriam publicadas na revista Prosa.
- Viaja pela Itália e Espanha.
- Dezembro: Maury, até então vice-cônsul, é nomeado cônsul de segunda classe.
- Dezembro: Publica seu segundo romance, O Lustre, pela editora Agir, livro que só é divulgado no ano seguinte.
 ·         1946:
- Fevereiro: Volta ao Brasil e divulga o romance O Lustre.
- Conhece Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, por intermédio de Rubem Braga.
 
1946-1949 –– MORA EM BERNA (SUIÇA)
 
·         1946:
- Abril: Muda-se para Berna (Suíça), onde residirá até 1949. O casal Gurgel Valente hospeda-se no Bellevue Hotel, ao lado do Palácio Federal. Em seguida muda-se para a rua Ostring n. 58.
- Convive com a família do Ministro Mário Moreira da Silva, chefe da Legação do Brasil em Berna. E com Bluma Wainer, esposa do jornalista Samuel Wainer, que morava em Paris.
- 21 de abril: Inicia correspondência com Fernando Sabino.
- Escreve o terceiro romance, A Cidade Sitiada.
- Publica os contos “O Crime” (25 de agosto) e “O Jantar” (13 de outubro) no suplemento Letras e Artes do jornal carioca A Manhã.
·         1947:
- Janeiro: Passa férias em Paris com Bluma e Samuel Wainer, San Tiago Dantas e senhora, Augusto Frederico Schmidt e senhora.
- 15 de fevereiro: Muda-se para a parte antiga da cidade: Gerechtigkeitsgasse n. 48, 1° andar, em frente à Fonte da Justiça.
·         1948:
- Maio: Termina o novo romance, A Cidade Sitiada, depois de três anos de trabalho e mais de vinte cópias. Escreve também contos importantes, como “Mistério em São Cristóvão” e “Os Laços de Família”. Seu conto “O Crime” ganha nova versão com o título de “O Crime do Professor de Matemática”.
- 10 de setembro: Nasce seu primeiro filho, Pedro.
·         1949:
- 03 de junho: A família volta da Suíça para morar, de novo, no Brasil. Os três – Clarice, Maury e Pedro – embarcam no porto de Gênova no navio “Cantuária” em direção ao Rio de Janeiro. O navio faz parada em Recife e aí Clarice revê alguns lugares da cidade e parentes, como a tia Mina e os primos.
- Publica A Cidade Sitiada, seu terceiro romance, pela editora A Noite.
·         1950:
- A família permanece algum tempo no Rio de Janeiro, antes de embarcar novamente para o exterior.
- Concede entrevista a Paulo Mendes Campos, publicada sem assinatura no suplemento do Diário Carioca.
- Escreve os contos “Amor”, “Começos de Uma Fortuna” e “Uma Galinha”.
- A família muda-se para Torquay, na Inglaterra, onde permanece por seis meses.

1950-1951: MORA EM TORQUAY (INGLATERRA)
 
·         1950:
- Clarice e a família hospedam-se de três hotéis antes de alugarem uma casa.
- Numa das viagens a Londres, é internada em um hospital por causa de um indesejado aborto e conta então com o apoio do poeta João Cabral de Melo Neto, que era vice-cônsul em Londres.
·         1951:
- Faz anotações para o romance A Veia no Pulso, a ser posteriormente intitulado A Maçã no Escuro.
- Março: Viaja de volta ao Brasil.
 
 1952: MORA NO RIO DE JANEIRO (ABRIL A SETEMBRO)
 
- Maio a setembro: Colabora no Comício, jornal dirigi, entre outros, por Rubem Braga, assinando sob pseudônimo de Tereza Quadros, página feminina intitulada “Entre Mulheres”.
- É publicado seu primeiro livro de contos, Alguns Contos.
- 03 de setembro: Embarca para os EUA, onde residirá até junho de 1959.
 
 1952-1959: MORA EM CHEVY CHASE, PERTO DE WASHINGTON (EUA)
 
·         1952:
- 27 de outubro: A família mora em Ridge Street, n. 4421, em Chevy Chase, perto de Washington.
- Conhece e convive com o diplomata Lauro Escorel e sua esposa, Sara Escorel, de quem se torna amiga.
·         1953:
- 10 de fevereiro: Nasce seu segundo filho, Paulo, em Washington.
- Continua a escrever, com dificuldades, A Maçã no Escuro. Escreve também alguns contos.
- Torna-se grande amiga de Érico e Mafalda Veríssimo.
·         1954:
- Julho a setembro: Clarice vem ao Rio de Janeiro com as crianças.
- 15 de setembro: De volta aos EUA, abandona por cinco meses a elaboração do romance A Maçã no Escuro, para dedicar-se aos contos.
- Sai publicado em francês seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem (Près Du Coeur Sauvage), pela editora Plon, em tradução que desagradou Clarice. Traz prefácio de Carlos Mendes Campos.
·         1955:
- Retoma a elaboração do romance A Maçã no Escuro.
- Escreve mais três contos: “A Menor Mulher do Mundo”; “O Búfalo” e “Preciosidade”.
·         1956:
- Termina A Maçã no Escuro, anteriormente intitulado A Veia no Pulso.
- Junho a setembro: Passa férias no Brasil.
- Setembro: Volta aos EUA.
- 07 de setembro: Convida, por carta, o casal Veríssimo, que estava no Brasil, para apadrinhar Paulo e Pedro.
- Seus amigos do Brasil, Fernando Sabino e Rubem Braga, tentam publicar o romance e um novo volume de contos.
·         1958:
- Conhece Maria Bonomi.
·         1959:
- 08 de janeiro: Viaja para a Holanda com Alzira do Amaral Peixoto, filha de Getúlio Vargas, para inauguração do navio “Presidente Getúlio”, em Roterdã.
- A revista Senhor, dirigida por Paulo Francis, publica contos de Clarice, divulgando, assim, a escritora para um público maior.
- Junho: Com o agravamento da crise conjugal, separa-se do marido e volta para o Brasil com os dois filhos.
 
 1959-1977: MORA NO RIO DE JANEIRO:
 
·         1959:
- Junho: Mora em apartamento no bairro do Leme: rua General Ribeiro da Costa n.2, apto. 301.
- 28 de julho: Maury Gurgel Valente tenta, em vão, uma reconciliação com Clarice, mediante carta escrita em Washington.
- Agosto: Inicia colaboração no Correio da Manhã ao assinar, sob pseudônimo de Helen Palmer, coluna intitulada “Correio Feminino – Feira de Utilidades”, que vai até fevereiro de 1961.
- Novembro: Inicia-se o processo de separação conjugal oficial.
·         1960:
- É publicado o livro de contos Laços de Família, pela Livraria Francisco Alves.
- Conhece Nélida Piñon, que se torna sua amiga até os seus últimos dias.
- Colabora no Diário da Noite, como ghost writer da atriz e modelo Ilka Soares, em coluna intitulada “Só para Mulheres” (até março de 1961).
·         1961:
- Julho: Lança o romance A Maçã no Escuro na Livraria Eldorado, em Copacabana, no Rio de Janeiro, e conta com a presença de Tom Jobim, que fez propaganda do livro.
- 17 de julho: Lança A Maçã no Escuro em São Paulo, na Livraria Francisco Alves.
- Ganha o prêmio Jabuti por Laços de Família, lançado no ano anterior.
·         1962:
- Passa a assinar a coluna “Childrens Corner” na revista Senhor.
- Visita o ex-marido na Polônia na companhia dos filhos.
- Recebe o prêmio Carmen Dolores, em São Paulo, entregue por Jânio Quadros, pelo romance A Maçã no Escuro, considerado o melhor romance de 1961.
·         1963:
- 31 de agosto: Faz conferência nos EUA sobre “Literatura de Vanguarda no Brasil”.
- Escreve, em alguns meses, A Paixão Segundo GH, depois de sete anos sem escrever.
·         1964:
- Publica A Paixão Segundo GH, um de seus textos mais densos, acompanhado do volume de contos e crônicas A Legião Estrangeira, que tinha como título da segunda metade, “Fundo de Gaveta”.
- 23 de novembro: Sai a sentença do juiz oficializando a separação conjugal.
- Maury Gurgel Valente casa-se com Isabel Leitão da Cunha, filha do Embaixador Vasco Leitão da Cunha.
- Renard Perez publica um breve esboço biográfico de Clarice.
·         1965:
- Maio: Muda-se para apartamento ma rua Gustavo Sampaio n. 88, apto. 701, no Leme.
- Seu romance A Paixão Segundo GH ganha vários ensaios críticos.
- 10 de dezembro: No Teatro Maison de France, RJ, é encenado o primeiro espetáculo baseado na obra de Clarice Perto do Coração Selvagem.
·         1966:
- 14 de setembro: Um incêndio ocorrido de madrugada, no seu apartamento, causado pelo cigarro que deixara aceso enquanto dormia, provoca-lhe queimaduras profundas no corpo, sobretudo na sua mão direita, que quase teve de ser amputada.
·         1967:
- Entra em depressão após romper um breve relacionamento com Paulo Mendes Campos.
- Publica seu primeiro livro infantil, O Mistério do Coelho Pensante, que escreveu ao filho Paulo nos EUA.
- Dá início a colaboração com crônicas semanais no Jornal do Brasil, que se estenderá até 1973.
- 07 de dezembro: Integra o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro, órgão do Ministério da Educação e Cultura.
·         1968:
- Colabora para a revista Manchete, com a seção “Diálogos Possíveis com Clarice Lispector” que traz entrevistas com várias personalidades do mundo político e artístico.
- Recebe o prêmio Calunga de melhor livro infantil de 1967, no Paraná.
- 22 de Junho: Participa da Passeata dos Cem Mil contra a Ditadura Militar no RJ.
- 28 de agosto: Se inscreve no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Guanabara.
- 07 de outubro: É nomeada Assistente de Administração do Estado da Guanabara.
- Além de problemas causados pelas sequelas do incêndio que exigem várias cirurgias plásticas, enfrenta o agravamento da esquizofrenia do filho Pedro.
- Publica pela editora Sabiá seu segundo livro infantil A Mulher Que Matou os Peixes.
·         1969:
- 25 de janeiro: Seu filho Paulo parte para os EUA num programa de intercâmbio cultural.
- Abril: Passa a publicar crônicas no Correio do Povo de Porto Alegre.
- Publica o romance Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres, que foi escrito em nove dias.
- Recebe o Golfinho de Ouro do Museu de Imagem e Som (MIS) por seu último livro.
·         1970:
- Conhece Olga Borelli, sua grande amiga nos últimos sete anos de vida.
- O romance A Maçã no Escuro é publicado em francês pela editora Gallimard, com o título Le Bâtisseur de Ruines.
- Inicia anotações para o romance Água Viva.
·         1971:
- Sai publicado um livro de contos intitulado Felicidade Clandestina.
- Julho: Termina o seu romance Água Viva.
·         1972:
- Setembro: Tem seu retrato pintado em Cabo Frio por Carlos Scilar.
·         1973:
- Agosto: É publicado o romance Água Viva, numa edição bastante reduzida dos originais datilografados.
- Publica a antologia de contos A Imitação da Rosa.
- A Maçã no Escuro e Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres têm edições publicadas na Espanha e na Argentina.
- 10 de setembro a 18 de outubro: Viaja pela Europa com Olga Borelli, passando por quatro países: Itália, França, Inglaterra e Suíça.
·         1974:
- É dispensada do Jornal do Brasil como cronista.
- 14-17 de agosto: Participa do IV Congresso de La Narrativa Hispanoamericana em Cali (Colômbia).
- Publica seu terceiro livro infantil, A Vida Íntima de Laura.
- Faz várias traduções do francês, inglês e italiano.
- Publica dois livros de contos: A Via Crucis do Corpo, livro sobre sexo que foi encomendado; e Onde Estivestes de Noite, em que ganham espaço personagens mais velhas.
·         1975:
- Participa do Congresso de Bruxaria, na Colômbia, onde lê o conto “O Ovo e a Galinha” e um texto intitulado “Magia”.
- Contrata a agência literária de Carmen Balcells para cuidar dos seus negócios.
- Publica o livro de contos Visão do Esplendor e uma compilação de entrevistas que antes foram divulgadas na imprensa carioca, De Corpo Inteiro.
- Março a setembro: Dedica-se à pintura como passatempo, pintando 18 telas em técnica mista. Esta atividade permanecerá até o ano seguinte.
- 28 de novembro: Escreve carta à Mafalda Veríssimo em ocasião da morte de Érico Veríssimo.
·         1976:
- 07 de Abril: Casamento do filho Paulo com Ilana Kauffmann. É nesta ocasião que fica sabendo que sua mãe escrevia poesias.
- Abril: Recebe homenagens na Argentina por ocasião da sua visita à 2ª Exposición Feira Internacional del Autor al Lector.
- 23 de abril: Recebe prêmio pelo conjunto de obra oferecido pela Fundação Cultural do Distrito Federal.
- Escreve notas a mão do que seriam seus dois últimos romances: A Hora da Estrela e o póstumo Um Sopro de Vida, que será compilado por Olga Borelli. Escreve dois contos: “A Bela e a Fera” e “Um Dia a Menos”.
- Dezembro: Inicia a colaboração para a revista Fatos & Fotos.
·         1977:
- 02 de fevereiro: É entrevistada por Júlio Lerner, na TV Cultura de São Paulo. A entrevista só irá ao ar depois de sua morte, como havia sido pedido por ela.
- Publica a novela A Hora da Estrela.
- Novembro: É hospitalizada com diagnóstico de câncer no útero.
- 09 de dezembro: Morre às vésperas de completar 57 anos. De acordo com o ritual judaico não pode ser enterrada no dia seguinte, por ser um sábado (Shabat).
- 11 de dezembro: É enterrada no Cemitério Comunal Israelita, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro, após passar mais de 45 dias no hospital.