sábado, 1 de junho de 2013

Orgulho de Ser Maioria

 
 
 
Este é o pior tipo de orgulho que se pode sentir: o orgulho de ser a maioria – e pior ainda, quando esta dita “maioria” recebe o título ainda mais grotesco de “dominante”. Não estou dizendo que não devemos sentir orgulho de sermos aquilo que somos; muito pelo contrário: o orgulho próprio é algo que aumenta o amor próprio, eleva a alto estima, traz apenas benefícios. Todavia isso não quer dizer que devemos nos orgulhar pelo simples fato de sermos alguma coisa. O orgulho deve ser fruto (a meu ver) de algo conquistado a custo, com suor e lágrimas; ou vai me dizer que alguém ai sente orgulho de se levantar pela manhã – levantar-se pela manhã é um ato que só gera orgulho em quem algum dia não pode se levantar, mas para quem faz do ato de levantar-se algo cotidiano, estar em pé não deve gerar orgulho algum, não é?
A charge diz tudo: tudo sintetizado em dois quadrinhos. É um esforço enorme ser reconhecido, ser aceito, não ter problemas de marginalização social – é com muito custo que aceito o título altamente pejorativo de ser branco e hétero (apesar de não ser branco).
Estou dizendo isso porque notei que as pessoas sentem orgulho de duas coisas das quais não me orgulho ou me orgulharia nunca: orgulho de ser branco, e orgulho de ser hétero. Ahn? Como assim?, desculpa, mas é isso mesmo produção? Vamos começar aqui com o pior dos orgulhos: o orgulho de ser branco.
Quando digo branco, refiro-me aos ditos euro-descendentes. Os mesmos euro-descendentes que monopolizam nossa cultura e nossa sociedade – desculpem-me, mas é a mais pura verdade: quantos de vocês aprendem nas escolas um pouco da história dos países africanos, sua cultura, seu folclore, sua religião? Poucos dentre todos nós sequer sabe quantos países existem no continente africano, ou o que é pior – poucos sabem que a África é um continente!  Mas estou me desviando do assunto: o que realmente quero propor a você que se diz orgulhoso de ser branco é – qual o motivo deste orgulho? Sempre que pergunto isso a alguém a resposta é, invariavelmente, a seguinte: se um negro pode se orgulhar de ser negro, por que não posso me orgulhar de ser branco? Primeiramente, parafraseando o querido Chesperito: somente os idiotas respondem uma pergunta com outra. Agora veja só, não é muita infantilidade tomar uma atitude ou aceitar uma ideologia somente porque o outro fez a mesma coisa? É pedir demais um pouco de maturidade? Acho que não.
Muito bem: não estou dizendo que as pessoas devem negar sua identidade, longe disso. Você é branco?, ótimo: faz parte da grande maioria que dita as regras da vida do mundo todo – pois é bem assim que acontece. Você é negro?, ótimo também: faz parte da raça que, mesmo tendo séculos de opressão sobre si, resiste bravamente. Você é índio? Ótimo, mais uma vez: seu povo guerreiro e valente persiste até hoje não sendo vítima da crescente modernidade que assola o mundo. Você é oriental?, mais uma vez – ótimo: não sei nem o que dizer agora.
Enfim: não vejo motivos plausíveis para uma pessoa ter orgulha de ser branca. Amigo (a), você sempre pode e provavelmente sempre poderá circular tranquilamente na rua sem que um maluco lhe atinja com uma paulada na cabeça pelo simples fato de você ser branco. Você tem os melhores salários, é bem visto socialmente, então se orgulhar de quê? de ser o “filhinho da mamãe” da sociedade?, desculpe-me então, mas esperava mais de você querido (a).
Agora o tal do orgulho de ser hétero; e quando digo hétero, quero dizer heterossexual, o homem que gosta de mulher e a mulher que gosta de homem. Orgulho de que, meu deus? Me responda: qual a dificuldade de ser hétero?, não ficar com mais de quinze meninas na balada? Nossa!, que problemão um heterossexual tem, não?
Eu particularmente gosto do fato do número de homossexuais assumidos estar aumentando: quanto mais gays por ai, menos homens olhando o traseiro da minha mulher. Pronto! Olha como o mundo é lindo visto por essa ótica! Além do que, sempre achei curioso o fato de que os homens gostam de ver filme lésbico no Redtube, mas não aceitam que dois homens andem de mãos dadas pela rua.
E dirão: sinto orgulho de ser hétero porque todos estão querendo fundar a “ditadura gay”. Ahn? Oi? Como? Volta a fita que eu me perdi na película! Ditadura gay? Como os gays irão “dominar o mundo” sendo que eles, mesmo saindo do armário com maior frequência, continuam sendo minoria? E a tal da heterofobia? A coisa mais ridícula que já vi: heterofobia seria a maioria dos insultos serem relacionados com sua heterossexualidade; ou então você ser expulso de casa se assumisse sua heterossexualidade, e por ai vai. A heterofobia existirá apenas quando ser hetero for considerado doença ou aberração, quando um pai preferir ter um filho ladrão do que um filho hétero, quando um homem e uma mulher forem proibidos de se casarem, quando grupos organizados saírem às ruas e agredirem casais héteros.
Isso me faz pensar: atualmente, as maiorias dominantes, além de não terem um mínimo senso do ridículo, são totalmente ignorantes. E ser ridículo não é motivo de orgulho, mas sim de vergonha. E eu me envergonho quando vejo que pessoas sentem orgulho de serem brancas ou de serem heterossexuais, numa sociedade cada vez mais racista e homofóbica. Ser a maioria não é motivo de orgulho, motivo de orgulho seria lutar por um lugar sem maiorias ou minorias, onde todos se orgulhariam de ser apenas uma coisa: seres humanos.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Comunicado: Oops, o blog tira férias!!


 
Alô pessoas,
 
quem chegou ao meu blog pelo facebook deve ter notado que nesses últimos dias a divulgação do mesmo não está no mesmo rítmo de sempre. Os leitores que me mandam emails dizendo que leem os textos devem ter notado que alguns deles estão sendo postados com um pouco de atraso (este mesmo, por exemplo); e os que simplesmente leem - sem maiores pretenções - devem ter notado que o tamanho dos textos está diminuindo. A todos vocês, queridos leitores, devo minhas sinceras desculpas e uma explicação:
 
As pessoas que têm um maior contato comigo sabem que eu faço curso Técnico em Farmácia, e os que são ainda mais próximos sabem que eu estou fazendo o estágio necessário para poder concluir o curso. O fato é que nesses últimos dias não consigo consiliar minhas funções de blogueiro, estagiário, estudante e (vejam só) tradutor (apenas nas necessidades). Não posso deixar de fazer o estágio, muito menos o curso, e sem minhas parcas traduções ficarei sem um dinheiro ganho por mim mesmo. Por isso (e por alguns outros motivos) resolvi deixar o blog em férias durante um mês, ou seja, dia 15 do mês que vem (Junho) voltarei com as postagens normalmente. O fato é que, por exemplo, a sessão de textos que posto às segundas requer muito estudo, pesquisa e - principalmente - tempo (coisa que não tenho ultimamente).
 
As postagens no meu canal no youtube (http://www.youtube.com/user/nicolasmadge) continuam normalmente, quem ai tiver curiosidade em saber como eu sou, olha lá os meus vídeos sobre Literatura, toda quarta-feira tem vídeo novo (hoje teve este: http://www.youtube.com/watch?v=FS6JVAjWPPU) de uma conferida ;)
 
Então, vemo-nos daqui a um mês, conto com a compreensão de todos vocês. Até breve, fui
 
N.N.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Saber X Crer

E confiar nem sempre é uma boa ideia



          Tudo aquilo que envolve a coleta de evidências é denominado saber, e aquilo que envolve a sustentação de uma hipótese sem que para isso seja necessária a coleta de evidências, é denominado crer. Por exemplo, digamos que um amigo seu diga que tem um cavalo de estimação. E digamos que você não acredite nisso, o que você faz? Cientificamente falando, o mais inteligente a fazer seria investigar para ver se esta informação procede ou não. Então você iria a casa deste amigo, veria ração para cavalo, veria utensílios utilizados para montaria e mais alguma coisa, mas não vê o cavalo em si, porque o cavalo está em outro lugar. Vendo estas coisas você passa a acreditar neste seu amigo (pelo menos é o mais óbvio que aconteça). Agora, digamos que você vá até a casa deste seu amigo outro dia e vê o cavalo, neste momento, você não acredita que ele tenha um cavalo, você sabe que ele tem um cavalo. E por que você sabe isto: porque você primeiro coletou informações (viu a ração para cavalo e os utensílios para montaria) que sustentassem esta hipótese (que seu amigo tenha um cavalo) e depois você juntou a estas informações (evidências) a observação do próprio cavalo in locco, estas duas coisas juntas (coleta de evidências e posterior constatação) fazem parte do conhecimento científico, quando você não faz nem uma coisa nem a outra (nem a coleta de evidências e nem a constatação) ou faz apenas uma delas, você está adentrando no conhecimento mítico ou religioso. E o que isso tem a ver com a ciência?

          A ciência e o método científico precisam da coleta de evidências que possam ser submetidas a testes, que sejam observáveis, mensuráveis e empíricas para promover o conhecimento, todo o tipo de método que não se utilize desta coleta de evidências observáveis, empíricas ou mensuráveis, não é ciência, mesmo que gere algum tipo de conhecimento.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

As Muitas Pessoas de Fernando



Hoje me deu vontade de falar (ou, neste caso, escrever) sobre Fernando Pessoa, um dos mais célebres poetas de todos os tempos – talvez o maior de todos. A vontade de falar no Fernando veio-me depois que encontrei um livro de poesias de sua autoria que ganhei de uma professora há alguns anos. Na época já amava Pessoa, mas depois de ter ganhado o tal livro, esta foi uma paixão que aumento gradativa e diariamente: mas é muito penoso gostar de Fernando Pessoa quando não se tem um método estabelecido para lê-lo – nunca sei se começo a ler seus poemas de maneira avulsa, ou se pego firme e sigo em frente: devoro-os, amo-os, vivo-os intensamente enquanto mergulho nas páginas já amareladas dos meus livros do lisboeta. E nisso fico esquecido de mim e do mundo, o que é um perigo para ambos: se me esqueço de mim, não há quem ler Fernando, e se me esqueço do mundo, não me encontro em mim mesmo.

O fato é que percebi que não é lá muito grande o número de pessoas que gosta, ou mesmo conhece, o senhor Fernando António Nogueira Pessoa, lisboeta que se dividiu em dois, em dez, em cem: Fernando Pessoa foi ele próprio, mas foi Ricardo Reis, e encantou Saramago; foi Alberto Caeiro, o místico e mistificado; foi Álvaro de Campos, o revoltado; o quase invisível Bernardo Soares. Fernando foi tantas pessoas numa só Pessoa, que torna-se indefinível, atual, futurístico, gênio e louco – quando amado, desperta paixões que incendeiam, e quando odiado, provoca a raiva colérica. Quantas pessoas numa só? Não sabemos e nunca saberemos: talvez Fernando fosse um pouco de cada um de nós, ou quem sabe nós é quem somos um pouco de Fernando, seus eternos heterônimos, seus iguais e diferentes: somos todos Pessoas, e Fernando é todos nós.
 
CRONOLOGIA:

1888: Fernando António Nogueira Pessoa nasce, a 13 de Junho. É batizado em Julho.

1893: Em Janeiro, nasce seu irmão Jorge. A 13 de Julho, o pai morre, de tuberculose. A família é obrigada a leiloar parte dos bens.

1894: O irmão de Fernando, Jorge, morre em Janeiro. Pessoa cria o seu primeiro heterônimo. O futuro padrasto, João Miguel Rosa, é nomeado cônsul interino em Durban, na África do Sul.

1895: Em Julho, Fernando escreve o seu primeiro poema e João Miguel Rosa parte para Durban. Em Dezembro, João Miguel Rosa casa-se com a mãe de Fernando, por procuração.

1896: Em 7 de Janeiro, é concedido o passaporte à mãe, e a família parte para Durban. A 27 de Novembro, nasce Henriqueta Madalena, irmã do poeta.

1897: Fernando faz o curso primário e a primeira comunhão em West Street.

1898: Nasce, a 22 de Outubro, sua segunda irmã, Madalena Henriqueta.

1899: Ingressa na Durban High School em Abril. Cria o pseudónimo Alexander Search.

1900: Em Janeiro, nasce o terceiro filho do casal, Luís Miguel. Em Junho, Pessoa passa para a Form III e é premiado em francês.

1901: Em Junho, é aprovado no exame da Cape School High Examination. Madalena Henriqueta falece e Fernando começa a escrever as primeiras poesias em inglês. Em Agosto, parte com a família para uma visita a Portugal.

1902: Em Janeiro, nasce, em Lisboa, seu irmão João Maria. Fernando vai à ilha Terceira em Maio. Em Junho, a família retorna a Durban. Em Setembro, Fernando volta sozinho para Durban.

1903: Submete-se ao exame de admissão à Universidade do Cabo, tirando a melhor nota no ensaio em inglês e ganhando assim o Prémio Rainha Vitória.

1904: Em Agosto, nasce sua irmã Maria Clara e em Dezembro termina os estudos na África do Sul.

1905: Parte definitivamente para Lisboa, onde passa a viver com a avó Dionísia. Continua a escrever poemas em inglês.

1906: Matricula-se, em Outubro, no Curso Superior de Letras. A mãe e o padrasto retornam a Lisboa e Pessoa volta a morar com eles. Falece, em Lisboa, a sua irmã Maria Clara.

1907: A família retorna uma vez mais a Durban. Pessoa passa a morar com a avó. Desiste do Curso Superior de Letras. Em Agosto, a avó morre. Durante um curto período, Pessoa estabelece uma tipografia.

1908: Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em escritórios comerciais.

1910: Escreve poesia e prosa em português, inglês e francês.

1912: Publica na revista Águia o seu primeiro artigo de crítica literária. Idealiza Ricardo Reis.

1913: Intensa produção literária. Escreve O Marinheiro.

1914: Cria os heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Escreve os poemas de O Guardador de Rebanhos e também o Livro do Desassossego.

1915: Sai em Março o primeiro número de Orpheu. Pessoa "mata" Alberto Caeiro.

1916: O seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.

1918: Publica poemas em inglês, resenhados com destaque no "Times".

1920: Conhece Ofélia Queiroz. Sua mãe e seus irmãos voltam para Portugal. Em Outubro, atravessa uma grande depressão, que o leva a pensar em internar-se numa casa de saúde. Rompe com Ofélia.

1921: Funda a editora Olisipo, onde publica poemas em inglês.

1924: Aparece a revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.

1925: A 17 de Março, morre, em Lisboa, a mãe do poeta.

1926: Dirige com seu cunhado a "Revista de Comércio e Contabilidade". Requer patente de uma invenção sua.

1927: Passa a colaborar com a revista Presença.

1929: Volta a relacionar-se com Ofélia.

1931: Rompe novamente com Ofélia.

1934: Publica Mensagem.

1935: Em 29 de Novembro, é internado com o diagnóstico de cólica hepática. Morre no dia 30 do mesmo mês.

 

 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Video da Semana: TAG - Livros Para Serem Lidos em 01 Dia

 
 
 
 
 
LINK PARA O VÍDEO
 
 
 
TAG DA SEMANA:
 Livros Que Podem Ser Lidos Em 01 Dia
 
1) O Dia em que Matei meu Pai - Mário Sabino;
2)  A Revolução dos Bichos - George Orwell;
3) Últimas Palavras - Christopher Hitchens;
4) O Zen e a Arte da Escrita - Ray Bradburry;
5) Aprendendo a Viver (Imagens) - Clarice Lispector;
6) No Que Acredito - Bertrand Russell;
7) Antes do Baile Verde - Lygia Fagundes Telles;
8) O Menino no Espelho - Fernando Sabino;
9) Em que Creem os que não Creem - Umberto Eco & Carlo Maria Martini;
10) Carta a uma Nação Cristã - Sam Harris;
11) Caim - José Saramago;
12) Beber, Jogar e Foder - Andrew Gotlieb;
13) Cotoco - John van de Ruit;
14) Quarto - Emma Donoghue.
 
 
ASSISTA(M) O VÍDEO NO LINK (http://youtu.be/anbX2S28p00) PARA SABER DE MAIS DETALHES DE CADA LIVRO ;)